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HISTÓRIA DA CASA DE SAÚDE DR. EIRAS A Casa de Saúde Dr. Eiras, é o único
estabelecimento hospitalar privado, que começa do tempo do Brasil Império
e a sua história acompanha a história da saúde no Rio de Janeiro até os
dias atuais.
LOCALIZAÇÃO. Botafogo no início da segunda metade do século XIX, concentrava uma significativa parte da elite da sociedade do Rio de Janeiro, representada pelos nobres e grandes comerciantes da cidade, que passaram a habitar o bairro e seus arredores, em suntuosos palacetes, tornando-o um local aristocrático. O Conselheiro José Bernardo de Figueiredo, Ministro-Presidente do Tribunal de Justiça do Império, era proprietário de grande extensão de terras no bairro; sua propriedade estendia-se pela Praia de Botafogo, do Colégio Imaculada Conceição à Rua São Clemente, e para o interior até a vertente do Morro Mundo Novo. O Conselheiro abriu ruas em sua propriedade, colocando os nomes em homenagem a parentes e amigos, alguns são mantidos até hoje e são bastante conhecidos no bairro, como:
O Dr. Antonio José Peixoto, conceituado cirurgião da época e fundador da primeira casa de saúde no Brasil, em 1843, a Casa de Saúde Dr. Peixoto, na Gamboa, que após ter sido confiscada pela Santa Casa de Misericórdia, em 1853, teve o seu nome trocado para Hospício de Nossa Senhora da Saúde; ao voltar da Europa para onde tinha partido após o fato, vai em 1855 estabelecer-se, pela segunda vez na cidade, com uma nova casa de saúde, agora nesse bairro. Com o mesmo nome, Casa de Saúde Dr. Peixoto, o novo estabelecimento hospitalar vai localizar-se no final da Rua Olinda com Rua Viscondessa, no Chalet d’Olinda, um palacete de dois andares, em meio a uma grande chácara, rodeado de árvores e jardins, antiga residência do Marques de Olinda, que teve as suas amplas instalações adaptadas para o atendimento do hospital.
A localização era excelente, com fácil acesso ao centro comercial da cidade, tanto por terra como pelo mar, pois nessa época um ancoradouro na Praia de Botafogo, mantinha uma linha de barcos a vapor ligando a enseada ao Largo do Paço ( atual Praça XV ), à Prainha ( atrás da Central do Brasil ) e ao Saco do Alferes ( imediações do Caju ). Estabelecida nas bases do Morro Mundo Novo, a topografia da época permitia que nos anúncios publicados nos jornais, almanaques e revistas, fossem oferecidos quartos com vistas para o mar e a ventilação com o ar marinho, o que fazia das suas instalações um chamariz para os pacientes do aristocrático bairro e arredores.
O Dr. Peixoto manteve intacto o seu prestígio junto a sua vasta clientela, principalmente entre a colônia francesa, o que lhe possibilitou transferir da antiga casa de saúde para a nova o título de Hospital de La Marine Imperial Française; também fez contratos com firmas comerciais e instituições beneficentes, que contribuíam com uma certa quantia mensalmente para que seus funcionários tivessem atendimento médico-hospitalar; uma visão antecipada dos futuros Planos de Saúde. Nas novas instalações foi construído um anexo, denominado Estabelecimento Hidroterápico, equipado com as mais modernas aparelhagens para a época; este tratamento foi mais uma iniciativa em um ramo da medicina praticada pelo progressista Dr. Peixoto. O sucesso foi tão grande entre os médicos e clientes, que logo atingiram os altos escalões da Corte, assim como também membros da família Imperial, a proximidade da casa de saúde do Palácio Isabel, hoje Palácio da Guanabara, fez com que a Princesa Isabel e seu marido o Conde d’Eu. se tornassem seus frequentadores. O Dr. Peixoto fez instalar dois chafarizes na frente do palacete, que foi inaugurado pelo Imperador, um servindo ao tratamento hidroterápico devido a composição mineral de suas águas e o outro para servir de abastecimento para a Rua Viscondessa e seus arredores; hoje não mais existem os chafarizes, porém uma bica no local ainda serve de testemunha a esse fato. Os anúncios nos jornais de 1855 a 1864, referiam-se a Casa de Saúde Dr. Peixoto com o subtítulo de Estabelecimento Hidroterápico e abaixo o honroso título de Hospital de La Marine Imperial Française, assim como também, desde 1860 mencionava o seu consultório à Rua da Assembléia no 36. Uma numerosa clientela formada com os convênios e a elite da época, fez fincar as raízes vitoriosas desse estabelecimento hospitalar que perdura até os dias atuais, já com o novo nome de Casa de Saúde Dr. Eiras. Em meados de 1864, gravemente doente do coração, o Dr. Peixoto passou a direção da Casa de Saúde para o Dr. Pedro Autran da Matta e Albuquerque Filho, retirando-se para a Fazenda Travessão, no Município de Paraíba do Sul, onde veio a falecer no dia 21.06.1864. Em fins de 1865, a Casa de Saúde foi comprada aos herdeiros do Dr. Peixoto, pelo Dr. Manoel Joaquim Fernandes Eiras, que trocou o nome da casa, e que se mantêm até hoje . ORIGENS. CASA DE SAÚDE NOSSA SENHORA DA AJUDA. A rua da Ajuda era uma das mais antigas e movimentadas do centro da cidade, iniciava na rua São José, em frente a Igreja de Nossa Senhora do Parto, e terminava na Travessa do Maia, no Boqueirão de Passeio ( hoje a praça do Obelisco na Cinelândia ); esta rua foi quase toda demolida com as obras de construção da Avenida Central ( atual Avenida Rio Branco ), entre 1903 e 1910. No no 68 desta rua , na esquina do Beco do Propósito, existia uma velha hospedaria em um prédio de dois andares, e foi aí que em 1863, o Dr. Manoel Joaquim Fernandes Eiras, após reformas no prédio fundou o seu primeiro estabelecimento hospitalar, com o nome de Casa de Saúde Nossa Senhora da Ajuda, que tinha como anexo o no 66, onde funcionava uma maternidade .
Ao dotar a Casa de Saúde de um corpo clínico ilustre, esperava o Dr. Eiras ter um sucesso rápido e vantajoso, mas não foi o que aconteceu, pois os famosos médicos foram se desligando da Casa para fundarem os seus próprios estabelecimentos hospitalares. A Casa de Saúde Nossa Senhora da Ajuda, foi palco de grandes e curiosos fatos no setor de medicina: foi o primeiro estabelecimento hospitalar privado a estampar a imagem de suas instalações em anúncios de propaganda, em que constava também a composição de sua equipe médica, integrada por grandes nomes da medicina da época além do Dr. Eiras, tais como: Dr. Andrade Pertence, Dr. Torres Homem, Dr. Catta Preta entre outros; fazia parte desta equipe Madame Durochet ( Marie Josephine Mathilde Durochet ) a primeira parteira formada pela Academia Médico-Cirúrgica, depois Escola e Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, e a mais popular obstetra da cidade, que atendia a todas as classes sociais; no tempo em que a obstetrícia não era exercida pelos homens, devido aos preconceitos dos pais e maridos. Foi também, a primeira mulher a fazer parte da Academia Imperial de Medicina, hoje Academia Nacional de Medicina. O médico Matheus de Andrade, que substituiu o Dr. Andrade Pertence na chefia do serviço de cirurgia e que logo depois partiu para a Guerra do Paraguai, ao retornar famoso e festejado, em 1868, reassumiu o cargo; porém em 3 de agosto de 1871, suicidou-se no banheiro da Casa de Saúde, após ter sido descoberta uma atitude sua pouco ética no concurso à cátedra de clínica cirúrgica na Faculdade de Medicina; esse fato causou grande desgaste à imagem do estabelecimento e de seus médicos, que vivenciavam um importante momento da medicina no Brasil, que lhes creditava uma grande importância profissional, pois em 4 de setembro de 1870, havia sido realizada com sucesso, pelo Dr. Feijó Junior, um parto por cesariana. Olímpio de Souza ( 1868-1938 ) afirma: Êsse sucesso era obtido então, no Rio de Janeiro, quando em Paris havia mais de 80 anos, todas as mulheres que haviam sofrido a secção de cesariana tinham sucumbido sem excepção. Porém, as excelentes instalações da Casa de Saúde na rua de Olinda, e a clientela de nobres e altos dignatários do Império no Estabelecimento Hidroterápico, fez com que o Dr. Eiras se interessasse mais para esta Casa, que já funcionava em conjunto com a Casa de Saúde Nossa Senhora da Ajuda, desde 1865, e fosse se desligando aos poucos da Casa da cidade que em 1876 foi vendida aos Drs. José Lourenço de Castro e Silva e Domingos de Almeida Martins Costa, que mantiveram o nome da Casa. A Casa de Saúde Nossa Senhora da Ajuda, em 1872, instalou em um anexo o Instituto Oftalmológico de Nossa Senhora da Ajuda, sob a direção do famoso médico Dr. Hilário de Gouveia, e anunciada como semelhante aos melhores existentes na Europa. A Casa de Saúde Nossa Senhora da Ajuda, também operou em conjunto com a Casa Imperial de Saúde e Medicina Cirúrgica, adquirida em 1864, que funcionou até 1865, quando foi fechada, ao ser comprada a Casa de Saúde Dr. Peixoto da rua Olinda. Dez anos após a sua venda, em 30 de agosto de 1886, ao defender uma tese na Faculdade Nacional de Medicina, intitulada Hospitais da Cidade do Rio de Janeiro, o Dr. André Jorge Rangel, descreve assim, uma Casa de Saúde decadente:
Uma hospedaria reformada, fundada em 1862,
na rua da Ajuda com a rua
Barão de São Gonçalo, mal localizada, em uma rua estreita de diversas edificações, sem ventilação, com as janelas sobre um mictório público, cuja divisão era: um térreo onde ficava a cozinha, o refeitório, a rouparia e a capela mortuária; e no primeiro andar o gabinete médico, o gabinete de eletricidade, consultório, aposentos de internos, sala de espera e de operações com um arsenal cirúrgico e farmácia. Um corredor com menos de um metro de largura, com quatro quartos de 4 leitos de cada lado e 2 saletas com oito leitos, uma com apenas uma janela que era para os escravos e uma com duas janelas para doentes enviados pelo Corpo de Bombeiros, com quem tinham contrato. A maternidade era um lugar sem ventilação, insalubre, ao nível do solo. CASA IMPERIAL DE SAÚDE E MEDICINA CIRÚRGICA Estabelecida na Praia de Botafogo no 26, nas antigas instalações do Colégio de São Sebastião, um estabelecimento de ensino primário e secundário, particular e tradicional, que era preparatório para o ingresso nas Escolas Superiores. Os proprietários eram os Drs. Francisco Bonjean e Carron du Villards, e foi inaugurada em 1859. A Casa de Saúde ficava em um terreno inclinado, cercado de vegetação e sofreu grandes reformas para adaptar-se a um estabelecimento hospitalar; em anexo foi construída uma casa especial para escravos, para que não tivessem contato com os demais doentes. O Dr. Charles Joseph Fréderic Carron du Villards ( 1800-1860 ) chegou ao Rio de Janeiro em 1858, clínico geral e cirúrgico, oftalmologista; logo ao chegar instalou-se com um consultório à rua do Cano no 33 ( atual Rua Sete de Setembro ), cercado de vasta propaganda em jornais, revistas e almanaques da época. No mesmo ano foi convidado pelo Marques de Abrantes ( Miguel Calmon Du Pin e Almeida ), provedor da Santa Casa da Misericórdia, para dirigir o primeiro Serviço Público de Oftalmologia, tornando-se assim o primeiro chefe de escola de oftalmologia do Brasil, tendo como assistente o Dr. Luiz Francisco Bonjean, oftalmologista formado em Paris. D. Pedro II, colocou a Casa sob a sua proteção e autorizou o uso do escudo das armas imperiais no estabelecimento. O Dr. Carron du Villards faleceu em 1860, e até 1863 o Dr. Bonjean dirigiu sozinho o estabelecimento, No início de 1864, o Dr. Eiras assume a direção da Casa, mudando o nome para Casa Imperial de Saúde e de Convalescença; mesmo no curto período de sua nova existência, quando foi fechada em 1865, fez anunciar nos jornais, revistas e almanaques da época que a Casa com banhos e quartos especiais para alienados. Toda a história da Casa de Saúde Dr. Eiras, desde o seu começo na rua da Ajuda, 66 e 68, em 1863, até 1865 quando adquire as instalações da Casa de Saúde Dr. Peixoto, na rua de Olinda, pode ser assim resumida: ao comprar as instalações da Casa de Saúde Dr. Peixoto, da rua Olinda, o Dr. Eiras já trazia grande experiência administrativa e sucesso em outras duas Casas de Saúde: Nossa Senhora da Ajuda nos 66 e 68 e Imperial Casa de Saúde e Medicina Operatória à Praia de Botafogo no 26, e foi a aproximação do fim do contrato desta e a preocupação com o reflexo que teria na Casa da cidade, é que fez o Dr. Eiras, voltar-se para a Casa de Saúde Dr. Peixoto; uma excelente aquisição pois com as instalações vieram os nobres e ricos clientes. Durante um período a Casa de Saúde Dr. Eiras, chamou-se Casa de Convalescença e Saúde e nos seus anúncios acrescentava antiga Casa Peixoto, que só foi retirado em 1877 .
PERSONALIDADE - DR. EIRAS Pesquisar a personalidade do Dr. Manoel Joaquim Fernandes Eiras é um desafio instigante, por ser um homem público que transita pela história da medicina do Rio de Janeiro, durante quase toda a segunda metade do século XIX, com reconhecida importância, baseada em fatos bibliográficos; convive com a mais representativa camada da sociedade brasileira, inclusive privando da amizade da Princesa Isabel e do seu marido o Conde d’Eu, sem que haja nas bibliotecas gerais e especializadas registros significativos sobre a sua vida. Diz-se que a Princesa Isabel teria melhorado o Caminho do Mundo Novo, apenas para facilitar o acesso do Palácio da Princesa ( Hoje Palácio da Guanabara ) até a Casa de Saúde, para o seu tratamento hidroterápico. Parece que o Dr. Eiras não dava muita importância a este lado, e não tinha intenções de perpetuá-lo; o seu orgulho estava no exercício da sua profissão e na sua obra, e foram estas que fizeram com que o seu nome ficasse conhecido através dos tempos, até os dias atuais. Na história oral de sua família, segundo informações de seu bisneto Haroldo Eiras Filho a um folheto médico; o Dr. Eiras seria um atuante abolicionista e republicano, pois apesar de fazer medicina caritativa, cobrava aos conservadores escravista, os serviços médicos prestados aos seus escravos, como a mostrar a pretensa igualdade entre as raças e teria recusado ao Conde d’Eu o oferecimento de um título de barão do Império, afirmando: O título que desejava já possuo e não me foi ofertado, foi ao contrário, conquistado com muito esforço. Sou médico, e ponto final. O Dr. Eiras nasceu em Pernambuco, em 14 de abril de 1828, filho do médico docente da Faculdade de Medicina de Pernambuco, Dr. José Fernandes Eiras. Aos 14 anos viajou para a Europa para efetuar os seus estudos, como era comum aos filhos da elite da sociedade da época, retornando ao Brasil dois anos depois para ingressar na Faculdade de Medicina , onde formou-se em 1850, defendo a tese:
Algumas proposições sobre o ponto de
sciencia accessorias da medicina
legal, relativa a gravidez e ao parto-Dissertações sobre o ponto de sciencias medicas da circulação do sangue do Homem e sobre o ponto de sciencias cirúrgicas, o dartro roedor será uma natureza sui generis ou será uma degeneração carcinomatoza ?
Começou a carreira como clínico geral, especializando-se em Otorrinolaringologia e também em Organização Hospitalar; só mais tarde e que veio a dedicar-se à assistência aos doentes mentais do Rio de Janeiro, e através dos anúncios das suas Casas de Saúde, nos jornais, almanaques e revistas, que podemos avaliar o quão foi movimentada a sua vida profissional, em tão curto período, desde a fundação da Casa de Saúde Nossa Senhora da Ajuda, em 1863, até ao seu falecimento em 29 de julho de 1889. Fundou, reformou, ampliou, vendeu, comprou, três dos mais importantes estabelecimentos hospitalares da época.
O Dr. Eiras foi vereador da Câmara Municipal da Corte e Comendador da Ordem de Cristo de Portugal .Pai de quatro filhos, Carlos, Antonio, Manuel e Francisco; do seu primeiro casamento com D. Silvana Maria de Oliveira, apenas o seu filho Antonio não formou-se médico, e só o seu filho Francisco Fernandes Eiras interessou-se pela Psiquiatria, defendendo em 1895, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, a tese: Infecções e Auto Intoxicações na Pathogenia das Pertubações Psychicas., porém ao inverso do pai trocou a Psiquiatria pela Otorrinolaringologia .
Como escritor publicou duas obras em 1884:: Melhoramentos do atual matadouro e Uma viagem à Poços de Caldas. O Dr. Eiras casou-se em segundas nupcias com D. Laura Dias ( que depois de viúva, casou-se com Adolpho de Souza Vianna ), com quem teve duas filhas: Dulce Dias Eiras e Helena Kahu ( Kahu, por haver se casado com Eugênio Kahu ) A sua morte em 29 de julho de 1889, foi assim publicada em alguns jornais da época:
FALECIMENTO - Na madrugada de hontem faleceu
nesta cidade o Dr.
Manoel Joaquim Fernandes Eiras. O nome do Dr. Eiras esta consagrado na lembrança da população, à qual elle nunca deixou de prestar serviços, quer os reclamados pela natureza de sua profissão, quer aquelles para os quaes a confiança do governo ou o suffragio popular o indicavão. Foi fundador da Casa de Saude N.S. da Ajuda, e da casa de saude que tem o seu nome, estabelecimento modelo no seu genero e que elle dirigia com inexorável tino e proficiencia, apllicando-se no tratamento e cura das enfermidades mentaes das quaes tinha estudos especiaes. Espirito culto, cortez e cariattivo, a scienciamedica brasileira perde nelle um dos mais extremados cultores e a pobreza um proctetor desvelado. O Dr. Eiras foi vereador da camara municipal da côrte e era commendador de Christo de Portugal. ( Jornal do Commércio.30/7/1889:p.3 )
NECROLOGIA - Com 61 annos de idade falleceu hontem o amigo
e
![]() ![]() ![]() ADMINISTRAÇÕES: 1889 - 1998. A Casa de Saúde Dr. Eiras teve poucos períodos administrativos durante o curso de sua história; não fazendo parte de grupos econômicos, a Direção da Casa sempre foi exercida pelos seus proprietários.
DR. MANOEL JOAQUIM FERNANDES EIRAS - 1863 a 1889. Este período administrativo foi o que lançou as bases sólidas de sua estrutura e já foram amplamente descritos nos itens anteriores. DR. CARLOS FERNANDES EIRAS - 1889 a 1920. Com a morte de seu pai, assume a direção da Casa o Dr. Carlos Fernandes Eiras. Já no início do século XX e principalmente durante a primeira Guerra Mundial, que causou dificuldades de acesso aos centro médicos europeus, o Rio de Janeiro recebeu uma grande procura de assistência médica hospitalar, o que acabou ocasionando uma expansão nos serviços prestados na Casa de Saúde Dr. Eiras nas áreas de Clínica Geral, Cirurgia, Doenças Nervosas e Obstetrícia que funcionavam no Chalet Olinda. A administração do Dr. Carlos Eiras, teve a colaboração do seu enteado Dr. Waldemar Schiller que, assim como ele tinha cursos de formação médica nos hospitais europeus; com uma direção conjunta ampliaram e modernizaram as suas dependências seguindo os padrões europeus, construindo o Pavilhão Santana e anexos para a internação e tratamento psiquiátrico. Documento oficial comprova que em 24 de novembro de 1906 o Dr. Carlos Eiras comprou um terreno de 168 m2 na Rua Mundo Novo no 3, e que em 2 de setembro de 1909, o Dr. Waldemar Schiller, comprou o no 1 desta mesma rua, um terreno de igual tamanho, o que vem confirmar o processo de ampliação e associação entre ambos, na direção da Casa .
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> Com maiores dimensões e notória projeção no cenário médico-cirúrgico do Rio de Janeiro, do Brasil e até de países vizinhos. O Dr. Carlos Eiras, formou-se em medicina em 1877, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro defendendo a tese das Indicações e Contra Indicações da Hydrotherapia no Tratamento das Moléstias do Sistema Nervoso. Foi durante esse período administrativo, que através da mediação do médico católico Dr. Affonso Mac Dowell e com a aprovação do Emm.Revv. D. Joaquim Arcoverde, é contatada para prestação de serviços assistênciais e religiosos a Irmandade Filhas de Santana, uma instituição religiosa fundada em Piacenza na Itália, em 8 de dezembro de 1866, e que chegaram ao Brasil em 1884, estabelecendo-se no Pará. Em 23 de dezembro de 1917, sob a chefia da Superiora Irmã Ana Tereza Troila e a companha de sete religiosas iniciam as suas funções na Casa. A Irmã Ana Tereza prestou serviços à Casa até 21 de setembro de 1946, quando faleceu aos 79 anos, nas instalações de Chalet Olinda. Hoje dez religiosas prestam serviços à Casa, cinco na Eiras-Botafogo e cinco na Eiras-Paracambi. DR. WALDEMAR DA PONTE RIBEIRO SCHILLER - 1920 a 1940. Em 9 de abril de 1920, o Dr. Waldemar Schiller compra a da Casa de Saúde Dr. Eiras, onde já atuava como colaborador.
O Dr. Schiller era um psiquiatra de formação universitária, estudou na França e na Alemanha ( três anos ), e procurou dar a Casa de Saúde uma direção técnico-científica psiquiátrica da Escola Kraepeliniana, poliglota falava inglês, francês, italiano, espanhol e alemão. No Pavilhão das Clínicas instalou uma biblioteca, em um amplo e luxuoso salão, ricamente atapetado e acortinado, ornado com grandes vasos de porcelana francesa floridos, onde podiam ser encontradas as mais variadas e completas coleções de revistas de psiquiatria e neurologia estrangeiras da época, um bibliotecário era responsável pela atualização das publicações. Esta biblioteca e o seu acervo não existem mais, perderam-se nas transformações posteriores efetuadas nas instalações da Casa. O Dr. Schiller nasceu em 7 de dezembro de 1880, vindo a falecer em 4 de junho de 1940; assumiu a direção da Casa o seu filho mais velho Maurício Brandon Schiller, até 1943. Hoje o seu filho José Duarte Schiller, participa de um grande projeto terapêutico na Casa de Saúde, A Rádio Fora do Ar, as ocorrências de uma estação de rádio sem local definido de instalação, isto é, a rádio está presente onde estão os pacientes. DR. LEONEL TAVARES MIRANDA DE ALBUQUERQUE - 1943 a 1986. Em 24 de agosto de 1943, uma sociedade composta pelos Drs. Arnaldo Guinle, Jorge Jabour, Sarmento Barata, Paulo Cesar de Andrade e Leonel Miranda compra a Casa de Saúde dos herdeiros do Dr. Schiller, porém com o falecimento ou afastamento dos demais membros da administração, a propriedade e a direção da Casa passa a pertencer unicamente ao Dr. Leonel Miranda. Nascido na Paraíba, em 29 de julho de 1903, começou os seus estudos de medicina na Faculdade de Medicina de Salvador-Bahía, transferindo-se depois para a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde veio a forma-se, em 1927, em Clínica Geral e Cirúrgica. Casado com a Dra. Mercedes Gross Miranda, a primeira mulher a ser formar em medicina no Brasil, com quem teve dois filhos Maria Helena Gross Miranda e Carlos Gross Miranda, ambos economistas e empresários. A sua carreira médica teve início como interno no Chalet Olinda, de onde afastou-se para fundar o Instituto Policlínico de Madureira, que vendeu para associar-se ao Dr. Paulo Cesar de Andrade na compra do Sanatório Rio Comprido, no Rio Comprido, que vendeu logo depois para o Corpo de Bombeiro, onde funciona atualmente o Hospital do Corpo de Bombeiro. Com a compra da Casa de Saúde Dr. Eiras, a sociedade compradora convidou-o para assumir a direção da Casa, integrando-se, também, como sócio . Contando com a cooperação de uma equipe formada por professores e médicos conceituados, tais como: Drs. José Caruso Madalena, Paulo Niemeyer, Amim Curi, Manoel Álvaro Velloso, Manoel Maria Cruz Rangel e outros; a sua administração vai transformar toda a estrutura física e de atendimento médico da Casa. O pioneirismo da Casa de Saúde Dr. Eiras, se faz presente mais uma vez, quando em 6 de junho de 1944 é firmado o primeiro convênio para assistência médica psiquiátrica e previdenciária no Brasil, assinado entre a Casa de Saúde e a Caixa de Aposentadoria e Pensões de Serviços Públicos do Distrito Federal, fazendo posteriormente outros convênios com instituições para-estatais, como: a Caixa de Aposentadoria e Pensões de Serviços Públicos do Distrito Federal ( 19 de agosto de 1946 ), o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Ferroviários da Central do Brasil ( 1 de outubro de 1946 ), o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários ( 1 de setembro de 1947 ) e a Prefeitura do Distrito Federal. Na época a cidade do Rio de Janeiro era chamada de Distrito Federal, por ser a capital do Brasil.
Com tantos convênios aumentou a demanda de atendimentos médicos e hospitalares, sendo necessárias ampliações e modernizações das instalações da Casa de Saúde. Na década de 50, foram construídos os prédios dos Pavilhões: N.S. de Fátima, Santa Teresa e São José, aumentando a capacidade de leitos de 90 para 600 aproximadamente; os Drs. Jack Ewalt e Daniel Blain, ex-presidentes da American Psychiatric Association, quando visitam o país e visitaram a Casa de Saúde elogiaram as suas instalações A criação da Casa de Saúde Dr. Eiras de Paracambi, em 1962, também foi obra da administração Dr. Leonel Miranda, que indicou para assumir a primeira direção administrativa da Casa o Dr. Manoel Maria Cruz Rangel e a direção técnica o Dr. Manoel Álvaro Velloso. Em 25 de outubro de 1960, foi criado o Centro de Estudos da Casa de Saúde Dr. Eiras e seu órgão oficial a Revista Brasileira de Psiquiatria, filiada a Associação Brasileira de Psiquiatria desde a sua fundação, em 14 de agosto de 1966; o anteprojeto dos Estatutos da Associação foi feito pelos Drs. Carlos Alberto Teixeira Basto, Denis Malta Ferraz, José Caruso Madalena e Jarbas da Motta, os três primeiros psiquiatras da Casa de Saúde Dr. Eiras. O auditório do Centro, denominado Auditório Santana, em homenagem a padroeira das religiosas que prestam assistência na Casa, foi cenário de grandes simpósios nacionais e de cursos universitários de psiquiatria, endocrinologia e psicologia médica e outros próprios da Casa. As atividades do Centro de Estudo foram registradas no Boletim da Associação Mundial de Psiquiatria ( TOMO III-no 1-1966 ) e os trabalhos publicados na Revista de Psiquiatria e analisados por revistas especializadas estrangeiras com a Annales Medico-Psychologiques. O Dr. Leonel Miranda foi Ministro da Saúde do Governo do Presidente Costa e Silva, onde em 1968 idealizou o Plano de Coordenação das Atividades de Proteção e Recuperação da Saúde, que tinha todas as características do atual Sistema Único de Saúde ( SUS ); este plano com detalhados estudos da área de saúde no Brasil foi rejeitado apenas por ser descentralizador, quando o governo ditatorial pregava a centralização para maior controle.
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Durante o período em que foi Ministro da Saúde, o Dr. Leonel Miranda teve a colaboração do Dr. Romeu Honório Loures, médico da Casa, que especializou-se em Clínica Médica nos famosos Serviços Universitários da Espanha. O Dr. Romeu chefiou a comissão que elaborou os Programas de Saúde do Ministério. Neste período a Casa de Saúde passou a ser dirigida pelos Drs. Epaminondas Pires de Castro, Amim Curi e pelo advogado Dr. Alfredo Nader e foi durante esta gestão que circulou, com grande sucesso, o Jornal Eiras, sob a direção do Advogado Dr. José Zenalvo Tenório. Em 14 de março de 1983, nas instalações do Chalet Olinda, falece o Dr. Leonel Miranda, após prestar 43 anos de sua existência dedicada a Casa de Saúde Dr. Eiras, ajudando a escrever a sua história, com o período administrativo mais produtivo e longo, entre todas as administrações e na História da Medicina Psiquiátrica do Brasil. Assumiu a direção da Casa a sua esposa Dra. Mercedes Gross Miranda . DR. CARLOS GROSS MIRANDA - 1991. Em julho de 1991, assumiu a direção da Casa de Saúde, Carlos Miranda, filho do Dr. Leonel Miranda, e pela primeira vez na sua história um proprietário e Diretor-Presidente Efetivo que não exerce a medicina, é economista. A atual administração implantou diversas mudanças modernizadoras e descentralizadoras, atingindo não só a administrativa, como também a terapêutica, faz parte desta nova fase as criações: Na Eiras-Botafogo a UNIDADE CERTA-Centro de Recuperação e Tratamento de Adictos ( 1993 ), o Centro Gerontógico Mercedes Miranda ( 1995 ), a Escola de Saúde Prof. José Caruso Madalena ( 1998 ), o Núcleo de Assistência Comunitária Dr. Heyder Gomes de Mattos ( 1998 ) e na Eiras Pacarambi o Atelier de Emoções e o Horto Viv’Eiras, ambos os projetos de 1994. A administração Carlos Miranda, pretende marcar a sua passagem pela História da Casa de Saúde Dr. Eiras, com um audacioso projeto, em andamento, a construção na parte de frente da Casa de um Hospital Geral, num prédio de nove andares, com luxuosas instalações e tecnologia de ponta, com uma previsão de construção para vinte meses. Assim sendo a Casa de Saúde volta ao seu passado como estabelecimento hospitalar de Clínica Geral e Psiquiátrica. A atual administração da Casa tem a seguinte composição: Diretoria: Diretor Presidente: Dr. Carlos Gross Miranda Diretor Técnico: Dr. Heyder Gomes de Mattos
Gerências subordinadas a diretoria: Gerente de Suprimentos: Susana S. Miranda Gerente Financeiro: Marli O Santos Gerente de Compras: Maria das Dores Meirelles Gerente de Faturamento: Eris Morgado Gerente de Recursos Humanos: Jorge Luiz o. Gomes Gerente de Manutenção: Rogério Lima Joaquim
CASA DE SAÚDE DR. EIRAS - BOTAFOGO INSTALAÇÕES. Iniciando as suas funções no Chalet Olinda, também chamado de Maison Santé, por ser o Hospital de La Marine Impéreale Française; a Casa de Saúde foi ampliando as suas instalações, acompanhando o progresso da cidade e da saúde na cidade do Rio de Janeiro, atendendo a demanda cada vez mais acentuada pelos bons serviços prestados não só na área de medicina geral, como também pela especialização cada vez maior na área psiquiátrica.
Ao lado do Chalet Olinda foi construído um prédio anexo, onde funcionava o Estabelecimento Hidroterápico. O Chalet iniciou o seu funcionamento com um cirurgião francês que era especialista em Traumatologia e foi aos poucos desenvolvendo os serviços de Doenças Nervosas e Clínica Geral, vindo posteriormente a priorizar o serviço de Doenças Nervosas pois na época, o Hospício Pedro II e a Casa de Saúde Dr. Eiras, eram os dois principais centros de atendimento a doentes mentais, sendo dirigidos para este último o maior contingente de pacientes particulares, caminhando assim para o que viria ser o seu destino, o maior centro de tratamento psiquiátrico particular do Rio de Janeiro, núcleo formador de psiquiatras e também de atendimento a pacientes dos maiores especialistas da época, tais como: Juliano Moreira, Miguel Couto, Heitor Carrilho, Luiz Galloti, Henrique Roxo e outros, que ali internavam os seus pacientes . O Chalet Olinda começou a mudar a sua história em 1889, quando assumiu a direção da Casa o Dr. Carlos Fernandes Eiras, em razão da morte do seu pai o Dr. Manoel Joaquim Fernandes Eiras que, mais tarde, teve a colaboração do seu enteado Dr. Waldemar da Ponte Ribeiro Schiller que, posteriormente, veio a ser o proprietário único da Casa de Saúde. Começa o processo de ampliação e modernização das instalações para satisfazer a crescente demanda de internações para tratamentos psiquiátricos, foram construídos os Pavilhões de Clínica Médica ( com a primitiva farmácia ), Santana, Santa Clarice e N.S. das Graças, ao lado do Chalet Olinda; um projeto arquitetônico eclético seguindo o modelo romântico francês, muito ao gosto da época, constituído de: um corpo central com dois pavimentos e nas laterais prédios com um pavimento, sua fachada com belas janelas e balcões complementam o seu estilo, e na frente um jardim com caminhos simétricos, seguindo o modelo francês
O Chalet passou a atender apenas aos casos de clínica médica, cirurgia e maternidade . A década de 50 vai dar uma violenta modificação na estrutura física e na área de saúde, com a Casa sob o comando do Dr. Leonel Tavares Miranda de Albuquerque. Com um projeto do arquiteto Oscar Niemeyer. são construídos: o Pavilhão Santa Tereza, com dez andares, destinado aos pacientes masculinos, o Pavilhão N.S. de Fátima, com cinco andares, para atendimento as pacientes femininas; mais tarde foi construído o Pavilhão São José, complementando este complexo hospitalar .
O conjunto arquitetônico da Casa de Saúde Dr. Eiras, compreende: a parte antiga, composta do Chalet Olinda e do Pavilhão Santana e parte nova, composta dos Pavilhões Santa Tereza, N.S. de Fátima e São José, abrangendo uma área construída de 18.000 m2, dentro de um terreno de 42.000 m2, que ainda mantêm no Morro Mundo Novo, uma pequena parte da Mata Atlântica, com muitas espécies de plantas originais. A parte antiga deste conjunto, foi tombada provisoriamente pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, em 30 de setembro de 1967, através do Decreto no 6.934; o processo faz elogios ao Chalet, descrevendo os belos trabalhos de cantaria e serralheria, a porta central em arco pleno e as janelas em arco abatido, o que dá uma grande beleza ao conjunto da sua fachada, a construção é caracterizada como de gosto romântico, com três pavimentos, cujo acesso interno, totalmente modificado para atender as condições de um estabelecimento hospitalar, se faz por uma escada ou de elevador; elementos decorativos arquitetônicos na fachada complementam este prédio histórico. Não é reconhecido no Pavilhão Santana nada de relevante. Em 30 de outubro de 1993, através do Decreto no 12.224, o tombamento definitivo, considera apenas o Chalet Olinda como prédio de valor histórico.
Há um estudo de tombamento de duas estátuas e um chafarize executados pela Societé Anonyme des Hauts-Forneaux et Fonderies du Val d’Osne, por serem alguns dos exemplares no Brasil, deste tipo de trabalho em ferro fundido cuja técnica, especial, foi desenvolvida por esta firma francesa. Estas estátuas podem ser vistas como acrotérios do Pavilhão Santana.
Devido a assistência religiosa prestada aos pacientes pela Irmãs da Irmandade Filhas de Santana, todos os pavilhões têm nome de santos da Igreja Católica e são no total de quinze, oferecendo 380 vagas para atendimento, sendo: 6 pavilhões femininos ( com 175 vagas ), 5 masculinos ( com 154 vagas ) e 4 mistos ( com 51 vagas ). SERVIÇOS. Quando foi fundada, em 1863, na rua da Ajuda, ainda como Casa de Saúde N.S. da Ajuda, a Casa sempre prestou serviços médicos em Clínica Geral e Cirúrgica, porém ao comprar a Casa de Convalescença na Praia de Botafogo no 26, em 1864, já introduziu o tratamento a doentes mentais, e ao estabelecer-se no prédio da Rua de Olinda, já oferecia todo o tipo de atendimento, trazido dos dois estabelecimentos hospitalares, que aos poucos foi sendo dirigido ao tratamento para doentes mentais. No Chalet Olinda, com capacidade para cinquenta leitos eram oferecidos atendimentos em Clínica Médica e Cirúrgica e Maternidade, e foi onde em 1951, foi instalada Clínica de Neurocirúrgica do Prof. Paulo Niemeyer, eminente médico que ali realizou inúmeras cirurgias, sendo algumas pioneiras, tornando-se um centro formador de profissionais da área, inclusive merecendo reportagens em revistas médicas internacionais. A clínica foi desativada, em 1992, porém o Dr. Paulo Niemeyer até hoje mantêm um consultório na Casa; com o fechamento da clínica, encerra-se, também, uma parte da História da Casa de Saúde Dr. Eiras, que a partir desta data passa a ser, exclusivamente, um Hospital Psiquiátrico. Hoje são atendidos na Casa de Saúde, apenas doentes com problemas psiquiátricos e afins. O estabelecimentos recebe doentes particulares, de convênios particulares e do Sistema Único de Saúde ( SUS ). O método de trabalho é multidisciplinar e deles participam médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais etc... Para melhor atender aos padrões da psiquiatria moderna, a Casa de Saúde setorizou os seus serviços, a saber:
ATENDIMENTO PSIQUIÁTRICO. O modelo assistencial prestado neste setor é fruto de um processo de longos anos de aprendizagem na área de assistência a doentes mentais. O paciente para internação, deve apresentar uma indicação do seu médico assistente ou autorização de internação do convênio do qual faz parte, entre os diversos firmados com a Casa; no caso do paciente sem acompanhamento médico, o mesmo é atendido pelo corpo clínico da Casa de Saúde. Cabe a equipe médica o encaminhamento ao pavilhão adequado; a seleção é feita com base no sexo do paciente, o seu comprometimento com o grau da doença e a faixa etária. Nos pavilhões uma mini-equipe multidisciplinar fixa verificará o melhor atendimento a ser dado ao paciente facilitando assim a sua integração ao ambiente. Diversas atividades paralelas são oferecidas aos pacientes como parte do tratamento, tais como: oficinas, teatro terapêutico, jardinagem, educação física, passeios , que além das funções terapêuticas em si, são também aproveitadas como o campo transferencial, envolvendo os pacientes, terapeutas e as relações intragrupais; tais fatores são aglutinantes e catalisadores nessas relações. No espaço das técnicas auto-expressivas como o barro, desenho e pintura, no espaço contar causos ou mesmo no desenvolvimento das atividades diárias ( AVD ), aproveita-se, especialmente a psicodinâmica da ação do sujeito que realiza e a interrelação que acaba provocando, especialmente no campo da terapia ocupacional.
ATENDIMENTO A DEPENDENTES QUÍMICOS. Dentro de uma nova visão da psiquiatria, a dependência química necessita de um tratamento especializado, e para isto a Casa de Saúde Dr. Eiras criou em fevereiro de 1993, a UNIDADE CERTA - Centro de Recuperação e Tratamento de Adictos, o primeiro centro de recuperação criado em um Hospital Psiquiátrico, no Brasil. As internação são voluntárias, isto é, têm que ter o consentimento e a aceitação do paciente, e de seus familiares, das regras básicas da Unidade. A técnica aplicada é o Modelo Minnesota, um programa idealizado por um famoso centro de recuperação de adictos desta cidade americana, e de quem herdou o nome. O tratamento visa a ressocialização, baseada no Programa dos 12 Passos de Alcoólicos Anônimos ( A.A. ), e hoje é aplicado nos diversos casos de dependências / adicção. A UNIDADE CERTA é subdividida em três setores: Unidade Ambulatorial, Unidade de Reformulação Protegida e Unidade de Desintoxicação ( DETOX ):
Outros serviços são oferecidos pela UNIDADE, tais como: Atendimento Individual ao Adicto, Terapia Familiar e Acessoria e Consultoria para Programa de Prevenção. A UNIDADE CERTA trabalha com uma equipe multidisciplinar, que além dos profissionais como das outras equipes, conta com um elemento especial para o setor o Conselheiro em Dependência Química. Como a doença não tem cura, o tratamento oferecido por esta equipe, consiste em orientar ao paciente a melhor maneira de conviver com ela, afim de evitar uma recaída e o paciente adota como lema de sua vida a frase: SÓ POR HOJE.
ATENDIMENTO À GERONTO-PSIQUIATRIA. O Centro Gerontológico Mercedes Miranda ( CGMM ), foi inaugurado em 27 de março de 1998, e tem como finalidade prestar assistência geronto-psiquiátrica aos idosos dependentes, portadores de demência e Doenças de Alzheimer, através de um visão mais moderna e procura oferecer a estes pacientes um atendimento mais especializado. Tais doenças precisam de cuidados especiais, técnicos treinados, informações específicas às famílias e aos cuidadores e a preocupação com a especialização se prende ao fato do crescimento da população de idosos e em consequência das doenças degenerativas que a acompanha, procurando melhorar a qualidade de vida do paciente. O serviço prestado, apresenta três modalidades de assistência:
A equipe multidisciplinar compõe-se de técnicos fixos e consultores, que são acionados de acordo com as necessidades. Além dos serviços médicos o Centro oferece outras atividades dirigidas aos cuidadores e à comunidade, tais como:
HOSPITAL DIA. O modelo de assistência denominado Hospital Dia - Casa Viva, também é fruto da reestruturação, rediscussão das práticas e teorias em saúde mental, como uma forma de acompanhar e desenvolver as melhores formas de assitência aos pacientes em crises agudas ou estado crônico, visando um entendimento maior do paciente em seu ambiente familiar e social, partindo da inserção terapêutica da equipe com o paciente. Todo paciente para ingressar no Hospital Dia - Casa Viva tem que ser entrevistado por um membro da equipe, que é multidisciplinar, e que avaliará a indicação do tratamento. É aceito o laudo de encaminhamento do médico assistente, se houver. O Hospital Dia - Casa Viva tem disponibilidade de atendimento para trinta pacientes, atendendo a adultos de ambos os sexos, acima de 18 anos, com quadros psicóticos ou neuróticos graves, com sintomatologia produtiva de quadros residuais, com sintomas negativos. O programa de reabilitação e ressocialização, atendem aos pacientes que apresentem sintomatologia residual, após o surto. O Hospital Dia - Casa Viva funciona de 2a a 6a feira de 08.00 a 17.00 horas e são oferecidas três refeições, durante este período. O setor tem atividades programadas:
OUTROS SERVIÇOS. O Centro de Estudos e Pesquisas da Casa de Saúde Dr. Eiras ( CEPED ), foi fundado em 25 de agosto de 1960, e é responsável pela organização de todos os eventos festivos e culturais da Casa de Saúde, assim como também pela implantação de cursos profissionalizações e de especialização. Em 13 de março de 1998, foi inaugurada a Escola de Saúde Professor Caruso Madalena, e é através desta escola que estão sendo ministrados e implantados diversos cursos na Casa de Saúde, não são apenas ligados a área da saúde, como; Auxiliar de Enfermagem, Pós-Graduação em Saúde Mental, Técnicas de Massagem e outros, mas também cursos livres como Arteterapia, Técnicas de Pintura e Desenho e outros que podem ser aplicados nos tratamentos terapêuticos. A Casa de Saúde mantêm estreita ligação com a sua comunidade ( moradores e comerciantes ), e foi pensando nesta integração que em 29 de junho de 1998, foi criado o Núcleo Comunitário D. Heyder Gomes de Mattos, que oferece gratuitamente serviços médicos e assistenciais, como: Serviço Social, Geriatria e Gerontologia, Orientação Psiquiátrica e Psicológica e outros. A Casa de Saúde estabeleceu convênios com faculdades e instituições de ensino, abrindo campo para estágios em suas instalações nas áreas de Psiquiatria, Psicologia, Fisioterapia, Enfermagem, Comunicação Social, Pedagogia e Terapia Ocupacional; fazem parte deste convênio a Universidade Gama Filho, Universidade Estácio de Sá, Fundação Técnico-Educacional Souza Marques, Faculdades Integradas Helio Alonso entre outras.
QUADRO FUNCIONAL E ESTATÍSTICA Dados fornecidos pela Casa de Saúde Dr. Eiras, em 18 de agosto de 1998.
QUADRO FUNCIONAL
ESTATÍSTICA DE PACIENTES
ESTATÍSTICA POR FAIXA ETÁRIA
ESTATÍSTICA DE TEMPO DE INTERNAÇÃO
CASA DE SAÚDE DR. EIRAS - PARACAMBI INSTALAÇÕES. Em 1962, durante a administração do Dr. Leonel Miranda, foi fundada em partes desmembradas da histórica Fazenda de Santa Cruz, a Casa de Saúde Dr. Eiras de Paracambi; inicialmente para atendimento aos doentes crônicos transferidos da Casa de Saúde Dr. Eiras - Botafogo, baseado no modelo de Comunidade Terapêutica. Paracambi ( significa Macaco Pequeno ), ao ser fundado recebeu o nome de Rio dos Macacos, passando para Tairetá e depois para o nome atual. Para a instalação da Casa de Saúde, foram comprados os sítios: Barreiros, Antas, Terras do Carneiro e Vila Atlas, perfazendo um total de 200 alqueires mineiros ( 8.809.600 m2 ), onde foi urbanizada uma área de 500.000 m2 e construída uma área de 60.000 m2, com capacidade para 2.500 leitos. O acesso era facilitado pela a sua localização, entre a Via Dutra e a Estrada de Ferro Central do Brasil, que cortava ao meio as suas terras. A Casa de Saúde construiu uma estação ferroviária, a sua porta , batizou-a com o nome de Dr. Eiras e doou-a a Estrada de Ferro; a estação não mais existe, apenas a plataforma ainda está em funcionamento, apesar de operar em horário reduzido. Afim de evitar as inconveniências de um macro-hospital, foram construídos pavilhões bem distanciados uns dos outros, com uma capacidade máxima de 400 leitos. O primeiro pavilhão a ser construído foi o São Miguel . Diversos fatos viriam a alterar o projeto inicial da Casa de Saúde: em 1991, o então governador do Rio de Janeiro, o Sr. Leonel de Moura Brizola, desapropriou toda a área após a linha ferroviária, um total de 108 alqueires mineiros e em 1995, mais 2,5 alqueires mineiros foram dadas a Prefeitura de Paracambi, como pagamento de tributos. A reformulação no atendimento hospitalar, modificou a estrutura do estabelecimento, que hoje conta com uma área de 119.0002 de área construída para atendimento aos pacientes, com disposição para nove Unidades Terapêuticas e o suporte de uma Unidade Clínica. As Unidades Terapêuticas, são os antigos pavilhões reformulados e que hoje são compostos de: enfermarias, consultório, posto de enfermagem, sala de recreação refeitório, um projeto novo pretende cria a Unidade Terapêutica Integrada, com o acréscimo de uma Unidade CERTA, Hospital Dia - Casa Viva, serviços já oferecidos pela Casa de Saúde Dr. Eiras de Botafogo.
SERVIÇOS. O projeto inicial de atendimento, apenas aos pacientes crônicos da Eiras - Botafogo, logo foi ultrapassado pela grande demanda de internação de doentes de Paracambi e arredores. É de extrema importância social os serviços prestados pela Casa de Saúde em Paracambi, não só pelo atendimento médico hospitalar aos seus 1.600 internos, todos amparados pelo Sistema Único de Saúde ( SUS ), sendo 60% deles totalmente abandonados pelos parentes, sem nenhuma condição de retorno ao seio da família; mas também pelo fato da maior parte de seus 719 funcionários serem moradores de local, o que evidência a importância da criação de empregos diretos e indiretos gerados em função da Casa de Saúde. Os pacientes ao chegarem para a internação passam por um exame de avaliação pela equipe técnica da Casa, afim de serem encaminhados às Unidades Terapêuticas adequadas; levando-se em consideração: o sexo, o grau de comprometimento com a doença e a faixa etária. A abordagem dos pacientes é feita por equipe multidisciplinar, com projetos terapêuticos específicos para cada Unidade e seus residentes, dentre eles dois sobressaem, não só por sua atração, como também por sua atuação global. São os projetos Horto Viv’eiras e o Atelier de Emoções. HORTO VIV’EIRAS. Criado em 29 de março de 1994, através de um convênio entre a Casa de Saúde Dr. Eiras e a Prefeitura Municipal de Paracambi, teve como finalidade a instalação de um Horto Florestal nas dependências da Casa de Saúde, com o objetivo de produzir mudas de plantas para o reflorestamento da região e ao mesmo tempo oferecer alternativas terapêuticas aos pacientes internados. A Prefeitura fornecia assistência técnica, insumos e equipamentos, em troca recebia as mudas das árvores plantadas. Com o sucesso do projeto, outras importantes instituições vieram a colaborar com ele, como: A Universidade Rural do Rio de Janeiro que ofereceu cursos práticos de viveirista; o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, que contribuiu com o fornecimento de sementes da floresta original da região e o Exército que liberou os seus soldados para o plantio de 10.000 árvores nas encostas dos morros, ruas e praças de quatro municípios da região. Hoje o Horto Florestal, já atendeu a mais de 300 pacientes com diversos tipos de patologia psiquiátrica, com excelentes resultados terapêuticos, inclusive recolocando no mercado formal de trabalho 25 pacientes, que hoje exercem atividades ligadas à área de jardinagem em sítios e empresas. Diversificando as atividades, dentro do próprio ramo, o Horto produz, também, mudas de plantas ornamentais e ervas medicinais e aromáticas, que são vendidas na praça central da cidade pelos próprios pacientes, sendo também fornecidas para as Prefeituras da região e da Baixada Fluminense. Recebem visitas escolares da rede de ensino municipal, que aprendem com os internos lições de preservação do meio ambiente e jardinagem. Essas atividades de contato com o mundo externo, tem sido de grande ajuda no processo terapêutico para a ressocialização dos internos, auxiliando nas atividades laborativas. No Horto o paciente passa por todas as fases de produção, adquirindo assim uma visão global de todo o processo, pois o Horto adota uma administração empresarial e hoje o projeto é auto-financiável, com a venda das mudas e os internos que lá trabalham, são remunerados, o que eleva a sua auto-estima e ajuda na sua recuperação. Esse trabalho é coordenado pelo Terapeuta Ocupacional Wilson Bittencourt Filho. auxiliado por uma funcionária da Prefeitura e monitores da Casa de Saúde.
ATELIER DE EMOÇÕES. Foi criado em 1 de agosto de 1994, nas antigas instalações da Unidade Clínica. Inicialmente o espaço foi idealizado para os pacientes que apresentassem interesse ou aptidão para as artes plásticas, as atividades oferecidas eras a pintura, a modelagem e o desenho. O local mantinha as portas abertas e os materiais expostos de forma a favorecer a livre escolha do paciente que entrasse no atelier, não havendo indução ao uso de cores, materiais ou arte a ser praticada. O responsável pelo Atelier promovia aulas, palestras e debates com os clientes; com o desenvolvimento das atividades, diversas opções apareceram e hoje os pacientes fazem passeios, visitas à exposições e cinemas, oficina de poesia e música, o que contribui muito para o processo de reintegração a sociedade. O paciente que frequenta o Atelier, tem pleno domínio da sua obra, podendo vende-la nas praças ou nas exposições no interior da Casa de Saúde, ou até doá-la aos familiares, podendo também deixá-la exposta nas paredes do Atelier, e hoje são tantas as obras de valor artístico no acervo do Atelier que já se pensa na fundação de um museu. A coordenação do Atelier e feita pelo artista plástico Paulo Lopes, cuja função excede ao simples orientador na criação das obras de arte; o seu trabalho, que tive o prazer de acompanhar, durante algum tempo, faz uma ligação paciente/obra/público que é uma lição de humanidade; o seu trabalho oferece grandes ganhos terapêuticos, ajudando na ressocialização do interno. Pintar é bom. Quando a gente pinta e termina o trabalho, a gente se sente realizado e com forças para enfrentar qualquer situação. Viver com as cores é viver para sempre. ( Damasceno - frequentador do Atelier ).
QUADRO FUNCIONAL E ESTATÍSTICA. A Casa de Saúde Dr. Eiras de Paracambi é subordinada administração geral, estabelecida na Casa de Saúde Dr. Eiras de Botafogo; porém funciona com uma Diretoria Médica local, formada pelos médicos Valencius Wurch Duarte Filho, Luiz Antonio Macedo Bretas e Laice Medeiros do Nascimento e um Diretor Administrativo, Sr. Francisco Bianco Filho. Dados fornecidos pela Casa de Saúde Dr. Eiras - Paracambi, em 18 de agosto de 1998.
QUADRO FUNCIONAL
ESTATÍSTICA DE PACIENTES
ESTATÍSTICA POR FAIXA ETÁRIA
ESTATÍSTICA DE TEMPO DE INTERNAÇÃO
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